O Refúgio Vivo é uma expressão do que é ser. A proposta reinterpreta a ideia de refúgio, não como um retiro distante da realidade, mas como um estado de presença e reconciliação com o nosso próprio tempo e espaço.
Inserido no tema Jardins de Sonho, simboliza o sonho de uma vida, em harmonia com o seu próprio ritmo. Um jardim que não se opõe à desordem, mas que cresce a partir dela, como tudo o que vive e se transforma. Materializa a coexistência pacífica entre opostos: a Ordem (estrutura, quietude) e o Caos (movimento, espontaneidade). As estruturas acolhem a introspeção e o descanso, enquanto a dança das plantas, o fluir dos caminhos e a água pulsam a consciência do movimento.
O Refúgio Vivo é também uma metáfora de como a sociedade pode ser, um espaço de encontro onde as diferenças se complementam e cada elemento encontra o seu lugar.
A moldura de entrada, inspirada numa fachada urbana, é um portal simbólico entre o quotidiano acelerado e o natural, afirmando que a natureza é presença e não cenário. O percurso desperta a curiosidade, num ambiente onde o verde cresce livre, denso, vivo e em movimento.
A casa de madeira é um abrigo que convida à pausa e à observação do movimento exterior, integrada na paisagem pela cobertura verde, que devolve à natureza o espaço que lhe pertence. O murmúrio da água funde-se com a serenidade do lago, cuja superfície se torna espelho e pensamento, onde quem contempla se reconhece como parte da paisagem viva.
O jardim cresce como um pequeno bosque, abundante e cheio de vida, onde cores, aromas e texturas se entrelaçam e os bancos reforçam a quietude contemplativa do espaço.
No coração do jardim, revela-se a essência do Refúgio Vivo: a aceitação entre a liberdade do crescimento natural e a firmeza das estruturas, num ambiente de respeito e reencontro onde o ser e a paisagem respiram no mesmo ritmo e onde é simples ser feliz.